Andar e Falar

Enfim, acharam o enquadramento ideal para acompanhar o passos de Willian Bonner, no JN.

Por Luiz Seabra

As mudanças de cenário, enquadramentos, o figurino e a luz são constantes nos telejornais brasileiros. Mais constante e revigorante quando tais mudanças acontecem nos telejornais da TV Globo.

Quando a moda de deixar de ser boneco vingou e os apresentadores passaram a trabalhar em pé andando de um lado para o outro, ouvi do diretor de TV de uma pequena emissora do Espírito Santo a seguinte pergunta – você consegue andar e falar? Claro, sorri e retruquei: desde bebê é assim que a gente atua.

Os telejornais estavam mesmo sisudos e os enquadramentos atendiam a jornalistas cadeirantes. Os mesmos eram estudados com a presença do diretor de jornalismo, diretor de arte, o iluminador, assistentes de estúdio, o diretor de TV, o aspone e o próprio boneco. Sim, éramos bonecos.

Mas as mudanças aconteceram inicialmente nos programas que misturavam entretenimento e jornalismo; nada de começar a andar logo nos telejornais. E diante das dificuldades técnicas da época, o percurso obedecia a marcações de fita crepe coladas no chão. Se ultrapassássemos o ponto previamente determinado fatalmente apareceriam fios, paredes esburacadas e até “bancas de queijo”.

Hoje os cenários são maiores, o material utilizado é outro, as câmeras são infinitamente menores e o plano de luz virou coisa de cinema. Mesmo assim  diretores e apresentadores ainda não se entendem. Ou nem discutem a inovação.

Vejamos alguns exemplos: Boris Casoy ficará ainda muitos anos atrás de uma bancada por conta de sua deficiência física (paralisia infantil); Datena sente-se a vontade. O formato simples do boletim que apresenta parece bem azeitado para o gordo; Ricardo Boechat ainda está preso na poltrona, embora os seus comentários andem com desenvoltura por nossas cabeças. Só precisa mudar de câmera quando termina um comentário para a leitura de outra cabeça. Do jeito que está, ele muitas vezes sai misturando uma coisa a outra; as repórteres do tempo da Band, Record e SBT precisam ficar menos dependentes do TP quando mostram o mapa do clima. Elas continuam olhando para o lado, ou seja, para o nada; No Jornal Nacional o diretor de TV às vezes acerta no enquadramento com o repórter que aparece de pé no grande telão à esquerda dos apresentadores. Quando dá certo fica show. E o avanço do Bonner ou da Renata pra cima da câmera quando vão chamar o vivo agora, sim, encontrou naturalidade.

Para você que trabalha nas emissoras regionais de TV e ainda não conquistou  naturalidade no andar da carruagem tente usar roupas que contemplem perfeita adaptação do equipamento de microfone. O uso excessivo de fita crepe para dar um jeitinho aqui e ali incomoda e inibe a desenvoltura até dos maiorais. Evite saltos enormes e sapatos desconfortáveis. E se for se sentar para uma entrevista em  enquadramento que mostre a amplitude do estúdio, vale emborrachar ou engraxar a sola dos sapatos. Outra dica: se a lente da câmera estiver muito acima de seu eixo de visão, peça para o câmera posicioná-la mais de acordo. Isso evita aquele ar de arrogância (queixo em riste) que precisamos evitar.

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