Lições que aprendi na GLOBO

Corpo e Alma, by Glorinha Beuttenmuller. Lições que aprendi com a referência em locução da Globo.

Por Luiz Seabra
Glorinha Beuttenmuller ainda é a minha maior influência para uma locuçãotécnica e bem colocada. Para quem não a conhece, principalmente os mais novos, Glorinha foi por muitos anos a principal fonoaudióloga da TV Globo e uma das profissionais mais requisitadas do teatro brasileiro. Para se ter ideia da dimensão dessa profissional, os alunos de Glorinha atendem pelo nome de Sergio Chapellin, Carlos Campbell, Fernanda Montenegro, Willian Bonner, Fátima Bernardes, Sandra Annerberg, entre outros talentos da comunicação.
Gratidão e felicidade expressam o meu desejo de passar aqui algumas dicas preciosas da grande mestre que se deslocava do Rio até Brasília para trabalhar as vozes de locutores e repórteres da emissora na capital federal.
 
Além de vários exercícios para a boca, caretas engraçadas e línguas que se transportam em todas as direções, aprendi que devemos usar todo o corpo para expressar bem uma palavra e até um conceito. Se o texto tem humor, devemos rir dos pés a cabeça. Se a notícia é boa encha de ar o seu diafragma e as células do peito para que o ouvinte sinta a energia positiva da matéria.
 
Glorinha não gostava da tal impostação de voz, muito utilizada até hoje. Ela abolia o uso de um piano ou de qualquer outro instrumento para que o aluno fizesse uma escala musical nos moldes de cantores e intérpretes.
 
Hoje posso assegurar que aprender música e canto vale muito a pena para quem quer fazer teatro ou pelejar na locução publicitária. É que o mundo mudou, a valorização das palavras – uma a uma – não é mais continuada. E em alguns casos, até o erre no final das palavras vem sendo subtraídos.
 
Existem dois perfis diferentes que se destacam no rádio e na TV. O homem ou a mulher de rádio é sempre mais falante, costura as palavras com ênfases variadas e quando se expressam querem ser ouvidos como se tivessem o tempo todo com um microfone. Normalmente gostam de fones de ouvido. Já o homem ou a mulher de Televisão, até pela sugestão da própria imagem, tende a ser mais comedido, a falar sem reverber e até se deixa levar por uma locução mais intimista, coisa que só cai bem para o repórter Ednei Silvestre, da TV Globo.
 
Diante da deixa do parágrafo anterior, a boa locução precisa estar atenta ao veículo que a posiciona. Ser frágil no rádio é saber que os seus dias estão contados como repórter, locutor noticiarista ou animador; o rádio tem, sim, o seu picadeiro, a sua eloquência. Já o profissional de TV precisa estar atento a se expressar, pelo menos, meio tom acima do que fala normalmente. A não ser que a voz já tenha um agudo acima da média, como no caso da repórter da TV Record Brasília, Christina Lemos. Em tempo: Cristina vem evoluindo muito bem, e já domina as subidas de tom que causavam tanto desconforto.
 
Dia desses acompanhei Glorinha Beuttenmuller em um programa de entrevistas. Daí sorri como ela mesma me ensinou, dos pés à cabeça. Pura gratidão.

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